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Algarve
 
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origens
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O território definido como a província do Algarve pertenceu à antiga província romana da Lusitânia, tendo posteriormente feito parte dos domínios visigodos.

No ano de 711, Tarik ibn Zyad passava o Estreito de Gibraltar e derrotava o rei dos visigodos, Rodrigo, na batalha de Guadalete.

Em 712, Abd Al-Aziz Ben Mussa conquista o "Gharb Al Andaluz"; sendo Andaluz (palavra de origem latina que significa Terra dos Vândalos) o nome dado ao território da Península Ibérica ocupado pelos Árabes, significando a palavra Gharb / Ocidente, ou, Al-Gharb / O Ocidente.

A província do Algarve encontra-se delimitada pelo Oceano Atlântico (sul e oeste) e pelo Rio Guadiana até à foz (a leste). Grande parte da região interior é montanhosa e de baixa produtividade, também escassamente povoada.

Já a zona mais ao sul oferece planícies verdejantes, aproximando-se da área costeira, fértil e mais densamente habitada.

O Algarve ocupou a sua maior relevância estratégica, quando em Sagres, no ano de 1419, o Infante D. Henrique - Navegador  - fundou um centro de pesquisa que passou a ser chamado de escola de navegação, donde eram controlados os Descobrimentos.

 
algarve conquistado

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Da palavra árabe "Al-Gharb" deriva a actual palavra portuguesa Algarve. Em 750, a dinastia Abássida (de Bagdad) destronou os Omíadas (de Damasco). A dinastia Omíada (Ben Umaia) teve continuidade na Península Ibérica, com a conquista desta por Abd Ar-Rahman Ben Umaia, que, em 756, estabeleceu o Califado omíada de Córdova.

Em 1091 dá-se a queda da dinastia Omíada e estabelecem-se no Andaluz os "1ºs Reinos da Taifas", a de Silves e a de Faro, no território actual do Algarve. Destacam-se como governantes destes reinos os poetas Al-Mu'tamid e Ibn'Amar. Os Almorávidas (Al-Murabitun), provenientes do Sara Ocidental, unificam o Al-Andaluz e estabelecem a sua capital em Sevilha.

Em 1143 dá-se a fundação de Portugal. Em 1144 estabelecem-se os segundos Reinos das Taifas: o governo dos Muridines (filósofos sufis) e do místico Ibn Caci em Silves. Em 1147, a dinastia berbére Almóada (Al-Muahadin) reunifica o Al-Andaluz. Em 1189, o Rei de Portugal, D. Sancho I, auxiliado pelos cruzados, conquista Lagos (Az-Zauia) e Silves (Chelb) pela primeira vez. Em 1190, o Almóada Yacub Al-Mansur ( Almançor) conquista o Gharb Al-Andaluz, retomando as localidades algarvias em poder dos portugueses. O poder Almóada termina em 1230 com o estabelecimento dos 3ºs Reinos das Taifas.

Em 1241 Lagos e Silves são conquistadas definitivamente pelos cristãos, comandados D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago. Em 1249, no reinado de D. Afonso III de Portugal, o Algarve fica totalmente conquistado pelos portugueses. Desde então, e até à proclamação da República, em 1910, os monarcas portugueses passaram a ostentar o título de "Rei de Portugal e dos Algarves".

O contributo da cultura árabe na Península Ibérica foi marcante na arquitectura, agricultura e técnicas de rega, artes de pesca e de construção naval, literatura, matemática e geografia, bem como na maneira de ser e fisionomia das gentes, e em mais de 600 vocábulos na língua portuguesa.

 
 chegada do primeiro turista à região
Esta região do Algarve tem novo ressurgimento com o estabelecimento das bases, na primeira metade do século XV, pelo Infante D. Henrique, da exploração marítima e comércio da costa ocidental africana e ilhas atlânticas. 

Os conhecimentos náuticos obtidos pela expansão marítima e exploração das costa ocidental africana , ficaram conhecidos por "Escola de Sagres". Para organizar o comércio atlântico, foi estabelecida a Casa da Guiné e da Mina, em Lagos, onde também se estabeleceu o primeiro mercado de escravos.

Após a morte do Infante, em 1460, a Casa da Guiné e da Mina foi transferida para Lisboa.Facto marcante da história económica do Algarve foi, a partir dos finais do século XIX, aproveitando a abundância de peixe nas suas costas, o estabelecimento de uma nova indústria, trazida por italianos e franceses, a das conservas de peixe.

Os produtos oriundos do mar, bem como a cortiça, 

os frutos secos e os citrinos, foram a base das produções do Algarve, até que, a partir da década de sessenta, após a abertura do Aeroporto de Faro, e até hoje, o turismo e todas as actividades correlacionadas, se tornaram numa das principais actividades económicas da região.

"Um paraíso", escreveu no seu diário sobre o Algarve, o primeiro turista, em 1801, o inglês Robert Southey, preso em Lagos por vagabundagem.

(António Morais)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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